A gestação é uma fase de profundas alterações hormonais,
metabólicas e vasculares e, como todos os tecidos do corpo, a pele também sofre
o impacto dessas mudanças. Mas, dá para manter seu vigor e beleza
Os médicos são unânimes: a acne na gravidez costuma ser de
evolução imprevisível. Apesar de ocorrer uma hiperatividade das glândulas
sebáceas nesse período, o problema não é frequente. Pelo contrário, algumas
mulheres chegam a relatar melhora nas condições da pele. Isso se deve ao fato
de a doença ser multifatorial, ou seja, um conjunto de aspectos hereditários, genéticos e hormonais
é que determinam a predisposição da mulher a apresentá-la.
Ainda assim, a gangorra hormonal está entre os principais
culpados por um rosto cheio de espinhas. Os níveis de estrógeno e progesterona
aumentam no decorrer dos nove meses, atingido níveis 10 e 30 vezes maiores,
respectivamente. Os hormônios em questão são essenciais para o desenvolvimento
fetal e são levados pela corrente sanguínea até a placenta. “Essas substâncias influenciam
significativamente a pele, melhorando sua textura e conferindo um aspecto mais
macio e hidratado, além de promover uma mudança da pigmentação, com
aparecimento de pintas, sardas e manchas”, explica a dermatologista Danielle
Gomes e Souza, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Médica
Brasileira. “Mas, especificamente no que se refere à acne, os estudos mostram que a ação hormonal
é totalmente imprevisível”, esclarece. Além disso, é importante considerar a
variação de sensibilidade de uma gestante para a outra e lembrar que cada gravidez tem características diferentes em
uma mesma pessoa.
Para quem a acne resolveu atormentar nessa etapa da vida, o
conselho é ter paciência. O consolo é
que, durante o período de amamentação, tudo começa a voltar ao normal. “Logo
após o parto, os níveis hormonais caem rapidamente, embora algumas alterações
cutâneas possam persistir por algum tempo. Normalmente, em seis meses a pele
volta a ser como era antes”, explica o ginecologista e obstetra José Carlos
Sadalla, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Fique de olho
A acne acomete, principalmente, a face, o pescoço e o tronco
(colo e dorso), que são as regiões com maiores glândulas sebáceas.
Recentemente, inúmeros estudos científicos têm demonstrado a associação do
aparecimento de espinhas com o consumo de certos alimentos. A principal
influência se dá na produção do sebo, tanto em relação à sua quantidade quanto
à qualidade. Os alimentos que induzem um rápido aumento da glicose no sangue,
ou seja, com alto índice glicêmico, irão elevar o nível de insulina e de
fatores de crescimento que, por sua vez, modificam a produção de gordura pela
pele, levando a oleosidade às alturas. Na lista de promotores do efeito casca
de laranja estão: pão branco, batata, biscoitos, mel, uva, manga, bolos, cereal
matinal, farinhas (milho e mandioca). “A gestante que quiser controlar o
surgimento da acne, por meio de uma dieta adequada, deve buscar o auxílio de um
especialista em nutrição gestacional”, aconselha Sadalla.
“A exposição solar deve ser evitada, pois o calor e a
umidade podem agravar o quadro, além de favorecer o surgimento de manchas sobre
as lesões”, alerta a dermatologista Magda Exposito, do Hospital Santa Catarina,
em São Paulo. “Por esses motivos, a gestação requer o uso frequente de protetor
solar. A grávida com espinhas e pele oleosa deve utilizar protetores livre de
óleo (oil-free), com um bom fator de proteção solar contra UVB (FPS) e UVA
(PPD). Pela normatização da Organização Mundial de Saúde (OMS), o FPS deve ser
de 30, no mínimo, e o PPD de 1/3 do FPS, ou seja, 10”, completa.
Pode ou não pode?
Uma das maiores dúvidas que pairam sobre a cabeça das
grávidas é o que ela pode ou não fazer,
nesse período. Por ser uma fase delicada, alguns produtos são realmente
proibidos, mas é possível, sim, cuidar da sua pele de forma efetiva e sem
perigo para o bebê.
Devido à maior vulnerabilidade das barrigudas a lesões
cutâneas, todo procedimento traumático deve ser evitado. A limpeza de pele pode
ser indicada, porém, é importante que um dermatologista faça uma avaliação
prévia. “A realização de peelings químicos, como o de ácido retinóico, não é
recomendada”, enfatiza Danielle.
O modo de higienização ideal vai depender do seu tipo de
pele: seca, normal, mista ou oleosa. Em todos os casos, deve-se optar por
sabonetes específicos para o rosto. Vale reforçar que os produtos próprios para pele normal estão liberados, já as
fórmulas para peles oleosas devem ser prescritas pelo dermatologista, já que
costumam conter algumas substâncias proibidas para quem espera um bebê. Da
mesma forma, as loções tônicas e adstringentes também requerem orientação.
Outro alerta importante: no processo de desenvolvimento de
uma nova droga, os testes nem sempre incluem mulheres grávidas. Como
consequência, a segurança do uso da maioria dos medicamentos não foi
devidamente avaliada. No tratamento da acne, as drogas contraindicadas são a
isotretinoína oral e os antibióticos da classe das tetraciclinas. Entre os
tópicos, está o ácido salicílico. “Para os demais, o critério médico deve ser a
análise de risco versus benefício. Entre os compostos disponíveis, estão a isotretinoína,o retinaldeído, o ácido azeláico, o peróxido de
benzoíla e a clindamicina tópica”, finaliza.
- Fontes
Dermatologista Danielle Gomes e Souza, da Sociedade
Brasileira de Dermatologia e da Associação Médica Brasileira.
Ginecologista e obstetra José Carlos Sadalla, Hospital Sírio
Libanês, em São Paulo.
Dermatologista Magda Exposito, do Hospital Santa Catarina,
em São Paulo.

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