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quarta-feira, 5 de março de 2014

Desenvolvimento Embrionário e Fetal

Autor: Dr. Júlio Cesar Massonetto

Médico Obstetra e Diretor Técnico do Amparo Maternal


Tudo começou na fecundação, o encontro do espermatozóide com o óvulo, formando um ovo (ou zigoto). A gravidez humana tem uma duração média de 266 dias a partir deste dia. Porém, como não se sabe com precisão quando a fecundação ocorreu, o cálculo da idade gestacional será feito a partir da data da última menstruação (D.U.M.) para calcularmos a data provável de parto (D.P.P.). Com estes referenciais, a gestação terá uma duração esperada de 40 semanas e sua equipe de pré-natal irá se basear nisso para orientar todas as condutas durante o acompanhamento da gravidez.
O óvulo e o espermatozóide têm 23 cromossomos cada um, sendo um cromossomo sexual: o óvulo tem apenas cromossomos X e o espermatozóide pode ter um cromossomo X ou Y. Portanto, o encontro do espermatozóide X com o óvulo X resultará um bebê feminino; se o espermatozóide Y for o vencedor na “corrida da vida”, um bebê masculino nascerá. Por isso é que, com razão, diz-se que é o homem que determina o sexo do bebê.
O novo ser é chamado de embrião até completar 8 semanas; após esta data, será chamado de feto. Neste período embrionário ocorre a formação de praticamente todos os órgãos e sistemas humanos. Por este motivo, este período é extremamente frágil no que se refere à exposição a agentes nocivos: infecções virais (rubéola, toxoplasmose), medicamentos e drogas (maconha, cocaína, crack).
Este roteiro sobre o desenvolvimento humano tem como objetivo mostrar a vocês, de uma maneira bem resumida e agradável, como está seu bebê neste momento.


  • Primeiro Mês


Até a quarta semana de gestação, o ovo é nutrido por secreções da trompa materna. Após a implantação do ovo no endométrio (tecido interno do útero), começa a se formar a placenta, uma nova ligação entre mãe e embrião e, consequentemente, a nutrição passará a ser realizada por este novo circuito. A placenta levará todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento embrionário (proteínas, glicose, lipídeos, vitaminas) e também o oxigênio para o trabalho (metabolismo) de suas novas células e tecidos. No sentido inverso, retirará o gás carbônico e os resíduos do metabolismo celular. Neste período, o coração está se formando, bem como o fígado e o sistema digestivo do embrião.

  • Segundo Mês


No final da quinta semana, já é possível identificar-se movimentos do coração do embrião através da ultra-sonografia com sonda transvaginal, embora seu médico vá pedir este exame apenas em situações de anormalidade. O cérebro e demais estruturas do sistema nervoso também já estão em formação.               Na oitava semana, braços e pernas já se desenvolvem e, em duas semanas estarão formados. O embrião começa a se movimentar, o que demonstra a evolução do tecido cerebral.

  • Terceiro Mês


Entre 10 e 12 semanas, já é possível predizer se o feto tem risco aumentado de ter uma anomalia cromossômica ou se há alguma grande malformação, como anencefalia (que é a ausência total ou parcial de formação do cérebro), através de um exame de ultrassonografia. Em situações muito especiais, se esta ultrassonografia estiver alterada, seu médico também poderá solicitar outros exames, como uma biópsia de vilo corial, que mostrará o cariótipo (configuração cromossômica) do bebê em desenvolvimento. Este exame tem indicações apenas em casos selecionados, devido ao risco de perda da gravidez.
Com 12 semanas, o bebê já está praticamente formado. A partir de então, seus órgãos e sistemas manterão seu crescimento e aperfeiçoamento.

  • Quarto Mês


Com 13 semanas, o batimento cardíaco pode ser auscultado através do sonar Doppler. A frequência cardíaca do bebê é bem acelerada em relação à nossa: 150 batimentos por minuto.
O feto tem as feições bem distintas, embora ainda esteja longe de ser bonito! Sua movimentação é intensa, porém ainda não percebida pela mãe (”eu só peso 100 gramas”). Com 14 a 15 semanas, o feto já “urina” no interior da cavidade amniótica, demonstrando a normalidade anatômica e funcional do sistema urinário. A urina fetal será o principal componente do líquido amniótico daqui para frente.

  • Quinto Mês


Entre 18 e 20 semanas a mamãe começará a sentir os movimentos fetais (o papai um pouco mais tarde, com 22 semanas). O feto chega à metade da gestação com cerca de 25 cm. de comprimento e 340 gramas de peso (em média). Quase todos já percebem que você está grávida (e não apenas “engordou”).
Os movimentos de abrir os olhos ou piscar, chupar o dedo (sucção) e consequente deglutição às vezes podem ser vistos pelo exame de ultrassonografia. A posição fetal dentro da cavidade amniótica ainda é muito variável, pois há muito espaço para ele se virar.

  • Sexto Mês


As necessidades de nutrientes pelo bebê aumentam. A mamãe sente mais fome. O colostro, secreção mamária que antecede o leite, pode exteriorizar-se pelos mamilos. A pele fetal é fina, vermelha e enrugada. O feto reage a estímulos luminosos (fetoscopia) e estímulos sonoros (externos). Seu psiquismo está desenvolvido e suas reações variam de acordo com as reações da mamãe (stress, alegria, relaxamento). Seu ritmo de sono é interessante e bem diferente do nosso: a cada 60 a 90 minutos, ele dorme durante aproximadamente 20 minutos.

  • Sétimo Mês


Com 28 semanas, o bebê pesa cerca de 1 quilo e mede 35 cm. de comprimento. O processo de maturidade pulmonar (o mais importante) já é significativo e estará completo somente com 38 semanas de gestação. Em casos especiais, com risco de nascimento prematuro, podemos acelerar este processo através da administração de medicamentos. O bebê já se mexe com mais vigor e, de vez em quando, incomoda a mamãe! Comece a conversar sobre seu parto com a equipe que te assiste no pré-natal.

  • Oitavo Mês


O feto assume a posição definitiva para o parto, a chamada apresentação cefálica (cabecinha direcionada para a bacia óssea materna). Em cerca de 4% dos casos, ele permanecerá sentado (apresentação pélvica) ou transverso no útero (apresentação de ombro) e o parto será cesárea.
As contrações uterinas, presentes desde o 5° mês, podem ser tornar agora perceptíveis pela mãe, principalmente quando o feto se movimenta e estimula a musculatura uterina, que está mais sensível. Quando incomodar demais, procure repousar (sentada ou deitada de lado) pois isso aliviará o desconforto e reduzirá o número de contrações do útero. O feto chega com 35 semanas medindo cerca de 42 cm. de comprimento e pesando 2.200 gramas, em média. Seus sistemas já estão quase completamente desenvolvidos.

  • Nono Mês


Chegamos à reta final. A pele do bebê já é espessa e está coberta por um “verniz” (o vérnix caseoso) branco, o qual será retirado apenas ao nascimento, durante no primeiro “banho”. Os movimentos fetais diminuem em quantidade e intensidade. O bebê pesa de 3.000 g (meninas) a 3.200 g (meninos), em média, com 47 a 49 cm de comprimento.

Se esta é sua primeira gestação, notará que a barriga “desceu”: é a insinuação, a descida da cabeça fetal para dentro da pelve (bacia óssea), bom sinal de que o parto ocorrerá em aproximadamente uma semana. A perda de um tampão mucoso pela vagina (nossos avós chamavam de sinal) significa apenas início da dilatação do colo que pode também iniciar-se nesta fase; não há correlação entre a perda do tampão mucoso e o desencadeamento iminente do trabalho de parto. As contrações uterinas ficam mais frequentes e duradouras, porém ainda melhoram se você repousar.

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